quinta-feira, abril 27, 2006

É terrível, mas as nossas empresas são assim...



Rezam as crónicas que, no ano de 1994, se realizou uma competição de remo entre duas equipas, uma composta por trabalhadores de uma empresa portuguesa e outra por seus congéneres japoneses.

Dada a partida, os remadores japoneses começaram a destacar-se desde o primeiro instante. Chegaram à meta em primeiro e a equipa portuguesa chegou com uma hora de atraso.

De regresso a casa, a direcção da equipa portuguesa reuniu-se para analisar as causas de tão desastrosa actuação e concluiu: na equipa japonesa havia um chefe de equipa e 10 remadores, enquanto na equipa portuguesa havia um remador e 10 chefes de serviço, facto que seria alterado no ano seguinte.

Em 1995, dada a partida, rápidamente a equipa japonesa começou a ganhar vantagem chegando à meta com duas horas de avanço.

A direcção da equipa portuguesa voltou a reunir e verificou que , na equipa japonesa continuava um chefe e 10 remadores, enquanto a equipa portuguesa, após a sua reestruturação, era composta por um chefe de serviço, dois assessores da gerência, sete chefes de secção e um remador. Após uma análise minuciosa concluiu-se que o remador era um incompetente.

No ano seguinte, e como não podia deixar de ser, a embarcação japonesa adiantou-se mal foi dada a partida. A portuguesa, que este ano tinha sido encomendada ao Departamento de Novas Tecnologias, chegou com quatro horas de atraso. No fim da regata, e para avaliar os resultados, decorreu uma reunião ao mais alto nível, chegando-se à seguinte conclusão: a equipa japonesa optou novamente por um chefe de equipa e 10 remadores. A equipa portuguesa, após uma auditoria externa e a colaboração de um assessor especial do Departamento de Informática, optou por uma formação mais vanguardista, composta por um chefe de serviço, três chefes de secção dois auditores de especialidade e quatro elementos de empresa de segurança que controlavam a actividade do único remador ao qual foi decidido abrir um processo disciplinar e retirados todos os bónus e incentivos devido aos enormes e consecutivos fracassos verificados causados pela sua ineficiência e pouca produtividade.

quarta-feira, abril 19, 2006

Medo



O nosso medomais profundo não é o de sermos inadequados

O nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida.

É a nossa luz, não as nossas trevas, o que mais nos apavora.

Nós nos perguntamos:

Quem sou eu para ser Brilhante, Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso?

Na realidade, quem és tu para não ser?

Tu és filho do Universo.

Se te fizeres de pequeno não ajudas o mundo.

Não há vantagem para ninguém em te encolheres para que os outros não se sintam inseguros perto de ti.

Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós.

Não está apenas em um de nós; está em todos nós.

E conforme deixamos a nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo.

E conforme nos libertamos do nosso medo, a nossa presença, automáticamente, liberta os outros.

Nelson Mandela

O Altar Mor da Igreja de Carvalhais


Lembro-me de, ainda criança, me distrair da missa (que ainda era rezada em latim), e ficar durante largos minutos a observar, com enlevo, os anjinhos anafados e sorridentes,o rosto sereno e lindo da Senhora do Amparo com o menino ao colo e todas as outras pequenas maravilhas que eu ia descobrindo no Altar Mor da nossa Igreja de Carvalhais.
Alguém me tinha dito que todo o altar tinha sido banhado a ouro e, eu,na ingenuidade dos meus seis ou sete anos, imaginava os operários com grandes baldes de ouro derretido a banharem os santos,os anjinhos e toda a talha do altar. Pensava em como era rica a nossa igreja e admirava-me o respeito que os ladrões tinham por ela, porque, com tanto ouro ali exposto, eles não se atreviam a roubá-lo.
Acordava do meu devaneio com o som estridente da campainha com que o sacristão anunciava a consagração da hóstia ou quando um dos meus irmãos mais velhos me davam uma forte cotovelada trazendo-me assim de volta à missa comprida e chata do velho Padre João Nepomuceno.
Passados tantos anos continuo a gostar do Altar Mor e, mesmo se me faltar a devoção, é com um sentimento bom de alegria nostálgica que fico de novo, absorto e extasiado, olhando os meus velhos amigos anjinhos, eternamente crianças, que parecem querer falar comigo na sua alegria permanente e me perguntam? Então, por onde tens andado que nunca mais vieste brincar connosco?

Ir a Carvalhais sem sair de casa



A todos os meus conterrâneos de Carvalhais e, também, a todos os que gostam de conhecer as nossas bonitas e genuínas aldeias beirãs, aconselho uma visita ao site de Carvalhais: www.carvalhais.net .
A sua apresentação até nem é das mais atraentes e, segundo me parece, não tem sido muito actualizado nos últimos tempos mas, mesmo assim, vale bem a pena entrar nele e explorá-lo como eu fiz da última vez.
Encontram-se coisas muito interessantes como pequenas histórias, muitas fotografias, informações,etc., mas só se entrarem nos vários links que são: história, paróquia, aldeias, eventos, (este está em manutenção), instituições, património e turismo.
Não é tão bom como ir até lá, eu que o diga que passei uns belos dias nos finais de abril por aquelas bandas, mas não se gasta gasolina e dá para matar saudades.

terça-feira, abril 18, 2006

O rio da minha aldeia






O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.


O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.


Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.


O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.


Alberto Caeiro

Soneto menor à chegada do verão



Eis como o verão
chega de súbito,
com seus potros fulvos,
seus dentes miúdos,

seus múltiplos, longos
corredores de cal,
as paredes nuas,
a luz de metal,

seu dardo mais puro
cravado na terra,
cobras que despertam
no silêncio duro ---

eis como o verão
entra no poema.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, abril 13, 2006

Façam comentários,muitos comentários, pleeeease!.........

Cheguei à conclusão que o que torna interessante um blogue são os comentários. Um blogue sem comentários é como um jardim sem flores, um dia de praia sem sol, um cozido á portuguesa sem sal, and so on, and so on.
Através dos comentários podemos entrar todos em comunicação e não precisamos falar só relativamente ao post que se está a comentar. Podem fazer criticas ao blogue, ao Sócrates ou até ao S. Pedro quando chove no fim de semana. Podemos fazer sugestões, dizerem-me quais os temas que gostariam de ver tratados ou, até aconselhar livros ou filmes de que tenham gostado. Um bom exemplo de comentário é o da Vanessa, gostei.
Vá lá... não sejam preguiçosos! É tão fácil! Beijos e abraços.

domingo, abril 09, 2006

Claro...era tão fácil...só podia ser ela...a Florbela!

Lembram-se daquele desafio que vos fiz? Perguntava eu quem tinha escrito aqueles dois sonetos: Exaltação e Amar. Aposto que quase toda a gente sabia mas só uma pessoa respondeu certo. Como essa pessoa não se identificou, ficou sem prémio. Fica guardado para o próximo Teste. A resposta era a minha querida poeta alentejana Florbela Espanca.
Criei, no dia 16 de Março um post a que chamei:" Vamos conhecer melhor... Forbela Espanca" mas, certamente por qualquer azelhice minha, esse post nunca apareceu na primeira página do blog mas consta no índice (previous posts) quase no fundo. Peço ao pessoal que gosta da Florbela que o leiam para que o meu trabalho não tenha sido em vão.
Vamos despedir-nos da poetisa da tristeza, como eu gosto de lhe chamar, com um dos seus mais interessantes sonetos:

ÚLTIMO SONHO DE SOROR SAUDADE

Àquele que se perdera no caminho...

Soror Saudade abriu a sua cela...
E,num encanto que ninguém traduz,
Despiu o manto negro que era dela,
Seu vestido de noiva de Jesus.

E a noite escura, extasiada, ao vê-la,
As brancas mãos no peito quase em cruz,
Teve um brilhar feérico de estrela
Que se esfolhasse em pétalas de luz!

Soror Saudade olhou... Que olhar profundo
Que sonha e espera?... Ah! como é feio o mundo.
E os homens vãos! - Então, devagarinho,

Soror Saudade entrou no seu convento...
E, até morrer, rezou,sem um lamento,
Por Um que se perdera no caminho!...

domingo, abril 02, 2006

O ouro do Brasil, D João V e o Convento de Mafra


Sempre acreditei que a principal razão do nosso atrazo e pobreza foi a mediocridade e incompetência, para além de muitos outros defeitos específicos, da maioria dos nossos governantes. Na monarquia tratava-se de uma questão de sorte ou azar. O filho do rei tanto podia ser uma sumidade como um imbecil e, em qualquer dos casos, seria ele a governar-nos por dezenas e dezenas de anos. Infelizmente, sumidades houve muito poucas quanto a imbecis... nem é bom falar.
Na República as coisas não funcionavam assim mas, por esta ou aquela razão, voltámos a ter outra vez azar e, salvo raras excepções, tivemos como governantes pessoas que não foram capazes de tornar Portugal um país com as portas abertas ao progresso.
Vem esta introdução a propósito do que li numa História de Portugal sobre D. João V. É claro que este nosso rei, nos quarenta e tês anos em que governou Portugal, fez algumas coisas boas como mandar construir o Aqueduto das Águas Livres, promover as artes, etc. mas, o que eu quero mostrar é o que este senhor fez com a maior parte da imensa riqueza que lhe chegou do Brasil.
" Nenhuma das prodigalidades de D. João V superou a da construção do Convento de Mafra. Feito para pagar uma promessa pelo nascimento da sua primeira filha, tornou-se um dos mais acabados exemplos de desperdício da história portuguesa.
A sua construção teve início em 1716. Para fazer avançar o seu projecto faraónico, o rei mandou recrutar operários e artesãos em todo o reino. Em 1729 havia 40000 pessoas a trabalhar na obra. Para acelerar os trabalhos, foram encomendadas 2000 carretas movidas por 12000 bois e 3000 cavalos. Para abrigar todo o pessoal envolvido na construção, foram erguidas 2000 casas
de madeira e criados três hospitais com 500 camas. Um exército de 2000 soldados foi destacado para garantir a segurança do aglomerado de 60000 pessoas que se formou em torno da obra.
Na decoração do grandioso convento o rei também não economizou. Os sinos foram feitos na Holanda e na Itália e de toda a Europa chegaram pranchas de nogueira para forrar as paredes e
2000 metros de tecido brocado foram usados nos paramentos dos padres.
A obra durou até 1735 e consumiu 120 milhões de cruzados - o equivalente a 140 toneladas de ouro, tudo o que a coroa arrecadara em vinte anos de exploração das minas brasileiras."

PRESENTES DE D. JOÃO V

Uma das razões que lhe valeram o cognome de "Magnânimo", foi, certamente, a qualidade dos seus presentes. Receber um presente de D. João V significava, a maior parte das vezes, ficar rico para o resto da vida. A lista a seguir dá uma ideia dos presentes que o monarca costumava distribuir:

1721 - Cinquenta dúzias de pratos de ouro oferecidos aos cardeais Pereira e Cunha para, em Roma, representarem Portugal.
1726 - Uma grande baixela de prata e 22 cavalos para o cardeal Mota.
1730 - Um caixote de barras de ouro para a Princesa das Astùrias.
1731 - Um caixote de barras de ouro para a rainha de Espanha.
1732 - 72 barras de ouro para o núncio Bichi, em Roma.
1733 - 24 barras de ouro para ajudar ao enterro do núncio Cavalieri, realizado em Roma.
1739 - Uma caixa de brilhantes para o cardeal Oddi e oito barras de ouro para o sobrinho deste, que foi o portador do presente.
1744 - Oito barras de ouro e um anel de diamantes para o conde de Boil.