sexta-feira, março 05, 2010

Mais Cecília...( I love this name)


                   
              
                                                               RETRATO



                                         Eu não tinha este rosto de hoje,
                                         assim calmo, assim triste, assim magro,
                                         nem estes olhos tão vazios,
                                         nem o lábio amargo.


                                         Eu não tinha estas mãos sem força,
                                         tão paradas e frias e mortas;
                                         eu não tinha este coração
                                         que nem se mostra.


                                         Eu não dei por esta mudança,
                                         tão simples, tão certa, tão fácil;
                                         -  Em que espelho ficou perdida
                                         a minha face?



                                                             Cecília Meireles




                                                                             

terça-feira, março 02, 2010

O perfume da poesia do Brasil

                                         


4º MOTIVO DA ROSA





Não te aflijas com a pétala que voa:


também é ser, deixar de ser assim.



Rosas verá, só de cinzas franzidas,

mortas, intactas pelo teu jardim.



Eu deixo aroma até nos meus espinhos

ao longe, o vento vai falando de mim.



E por perder-me é que vão me lembrando,

por desfolhar-me é que não tenho fim.



                               Cecília Meireles

quinta-feira, janeiro 28, 2010

A arte de Manuel Bandeira

Desencanto




Eu faço versos como quem chora

De desalento... de desencanto...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.



Meu verso é sangue. Volúpia ardente...

Tristeza esparsa... remorso vão...

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.



E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.



- Eu faço versos como quem morre.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Este blog tem um irmão!

 Não nasceu na Maternidade Alfredo da Costa, não tem 3,450 e não se parece com o pai mas é o irmão mais novo do "viajandopelotempo" e chama-se "Entre o Tejo e a Arada".
 Surgiu subitamente, quase do nada, e com a preciosa colaboração do meu amigo Mário Miranda já tem muito que ler.
 O endereço é www.tejoarada.blogspot.com
 Visitem-no e façam as vossas criticas.


      Sérgio Figueiredo

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Conhecem Sebastião da Gama?

PEQUENO POEMA

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

quarta-feira, janeiro 13, 2010

A colaboração ´chegou...

Algum tempo atrás propus aos meus amigos e leitores que quisessem colaborar comigo e enviar textos para este blogue especialmente relacionados com as tradições das nossas aldeias beirãs.
Tenho finalmente uma resposta positiva - o meu amigo Mário Miranda enviou-me alguns textos ( o primeiro já publicado com o título: Velho mas útil) e, embora alguns não tenham a ver com as recolhas de que eu falava nesse post, optei por publicá-los por serem interessantes e genuinos.
Espero que gostem. Fico à espera dos vossos comentários. Digam bem ou digam mal, mas digam qualquer coisa para eu saber que vocês existem e estão aí.

Sérgio Figueiredo

sexta-feira, janeiro 08, 2010

OS FEIJÔES ESTÃO EM FORMA!!!


Mais uma vez se cumpriu a nossa tradição familiar. Já não me lembro de quem foi a feliz ideia e aproveito para daqui enviar o meu obrigado ao mano (creio que não fui eu) que deu o primeiro impulso para que estes nossos encontros anuais se realizassem porque são sempre deliciosos.
Gostava até de fazer um pequeno historial de todos eles, embora me pareça uma tarefa difícil porque a minha memória está com poucos gigas.
Em 2009 coube-me a mim o cargo de Reitor da Confraria e fomos almoçar ao Restaurante "Os Arcos" em Paço de Arcos. Comeu-se bem e creio que todos saímos de lá satisfeitos embora um pouquinho mais pesados.
Fomos depois até ao Passeio Marítimo para desgastar as calorias em excesso mas o pessoal estava preguiçoso e não passámos do início. Deu para respirar a brisa marítima e encher os olhos e a alma de todo aquele azul atlântico.
Depois viemos para a minha casa em Porto Salvo onde passámos um resto de dia agradável com a entrega de prendas aos pequenitos, um lanche e muito convívio.
Apenas senti a mágoa da ausência do nosso querido Tónio mas pensei em como ele se sentiria feliz se nos pudesse ver e saber que, embora cheios de saudades dele, continuamos unidos e muito amigos.
Para o ano há mais. O Isidro (e não o Manel Carlos como tinha escrito por engano) tem o pelouro. Até lá.


Sérgio