sexta-feira, abril 26, 2013

                                              

                                                       MOUREL, TERRA NOBRE E ANTIGA


Sempre considerei a minha aldeia a mais bonita de todas, ou não fosse ela a minha aldeia, mas não sabia que era antiquíssima e, pelo que diz a história, muito importante ao longo dos séculos.
Fiquei orgulhoso e satisfeito e a gostar ainda mais da terra onde nasci e vivi os meus primeiros dezassete anos. No entanto, penso que o que quando me refiro a Mourel não estou a pensar no que é a aldeia hoje. Para mim ela representa todas as minhas vivências de criança e adolescente, as figuras queridas e veneráveis dos meus pais, avós e tios que recordo sempre com saudade e carinho. A Mourel que eu amo é a que está na minha memória, a de agora não é minha, é daqueles que lá vivem e a desfrutam todos os dias.
Tudo isto vem a propósito de um artigo que saiu no jornal Notícias  de Lafões com o título: "Carvalhais, uma freguesia a crescer" onde se fala do passado e do presente desta freguesia que, graças ao polémico  Miguel Relvas e às suas leis, vai absorver Candal e ficar enorme.  Desse artigo transcrevo o seguinte trecho:
               
                     " Tendo Santiago como padroeiro, a sua Igreja Paroquial vem da pré-nacionalidade, inscrevendo-se na história, sobretudo a partir dos séculos XII e XIII, abundantes referências a esta freguesia e seus lugares, mormente Abados (Abbados), Arada ( Eerada ), Bellecus ( villa Belecani??) , Germinado, Paço, senhorio medieval, assim como Torre. As inquirições de 1258 atribuíam-lhe a sede de padroado de cavaleiros-fidalgos e outros herdeiros, passando depois por uma ligação à Misericórdia de Viseu.
                        Antes, todavia, em Novembro de 1158 (TT, Sala 16, MIV,doc.23) em documento de compra e venda da "terça parte de todas as herdades que o vendedor possui no território de Lafões, isto é, na vila do Covelo, em Paredes, em Cambra, Negrelos, MOUREL, Santa Comba, tudo pelo preço de uma mula avaliada em 40 morabitinos e um manto avaliado em 4 morabitinos..." era indicado um povoado desta mesma freguesia, MOUREL, que era cedido por D.Urraca Rabaldes ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.
                         Prova-se, por este meio, a antiguidade destas paragens e o interesse que despertavam"

A partir de agora vou olhar Mourel com mais respeito como convém quando se trata de uma aldeia que nasceu, seguramente, muito antes de Portugal.

S.F.