segunda-feira, dezembro 11, 2017

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FOGOS FLORESTAIS            

          SERÃO OS PORTUGUESES CAPAZES DE PÔR FIM A ESTA CALAMIDADE ANUAL?  


  

               É esta pergunta que  nas ultimas dezenas de anos tenho formulado várias vezes e que, infelizmente, continua sem resposta.  Primeiro vem a angustia da dúvida após tanta desilusão e, só depois, chega ao meu espírito uma réstia de esperança.  Será que, após tanto erro e tanta incúria, podemos acreditar que os políticos que temos, mais aqueles que os substituirão, irão, de uma forma corajosa e determinada, criar politicas inteligentes e corretas que possam, finalmente, terminar com este flagelo nacional?  Quem viver verá.

               Mas este ano de 2017 foi o mais terrível de todos com o seu cortejo de mortes ( 109 até agora), a perda de centenas de habitações e uma área de floresta ardida que ultrapassa os 500 mil hectares. O meu receio maior reside no futuro. Será que este ano foi mesmo excecional ou, pelo contrário, outros virão ainda mais graves?  Só posso prever o pior se as alterações climáticas continuarem a tornar o nosso planeta mais quente e mais seco e se o nosso sistema de combate aos fogos não for, radicalmente, melhorado.

            Faço estas reflexões enquanto subo, lentamente, que a escalada é difícil e o fôlego já vai faltando, a encosta da Serra da Arada, cercado pelos restos calcinados do que foram árvores e arbustos pujantes de vida, respirando o ar acre ainda contaminado pelo fumo e pela cinza que cobre o chão num cenário triste, negro como a morte.

               Vou procurar reconhecer as pequenas propriedades da família que arderam pela terceira vez nos últimos trinta anos.  Também desta vez não tínhamos cedido ao desânimo e, não dando ouvidos aos vizinhos que nos avisavam do inevitável regresso do fogo, ajudados pelo entusiasmo dos filhos, plantámos  carvalhos, castanheiros, cerejeiras-bravas  e outras árvores que pudessem mudar o paradigma do que tem sido a desgraça da floresta portuguesa  atual: o pinheiro bravo conjugado com o eucalipto. Com muitos sacrifícios e muito carinho conseguimos  pequenas manchas de uma promessa de floresta recheada por estas  árvores autóctones que, além de me extasiar quando a comtemplava, era uma amostra  do que, na minha opinião, se deveria fazer pelo país fora.  Não valeu a pena. O sonho ardeu de novo.  Mas, para surpresa minha, ouvi há pouco um dos meus filhos dizer que convocou uns amigos para o ajudarem a começar a plantar novas árvores.  Tinha pensado em desistir, mas, perante esta persistência da gente mais nova, vou tentar mais uma vez. Talvez o clima, contra todas as previsões, se torne menos propício aos incêndios e quem sabe se, daqui a dez anos, os nossos políticos  tenham conseguido proteger convenientemente a nossa amada floresta.   Se ainda por cá andar nessa altura, trarei uma foto para vos mostrar a minha mini floresta de carvalhos e afins.

Sérgio Figueiredo        
( Texto publicado no Boletim da AATIB ( Associação dos Antigos Trabalhadores da Império Bonança) do mês de Novembro de 2017)