
Sempre acreditei que a principal razão do nosso atrazo e pobreza foi a mediocridade e incompetência, para além de muitos outros defeitos específicos, da maioria dos nossos governantes. Na monarquia tratava-se de uma questão de sorte ou azar. O filho do rei tanto podia ser uma sumidade como um imbecil e, em qualquer dos casos, seria ele a governar-nos por dezenas e dezenas de anos. Infelizmente, sumidades houve muito poucas quanto a imbecis... nem é bom falar.
Na República as coisas não funcionavam assim mas, por esta ou aquela razão, voltámos a ter outra vez azar e, salvo raras excepções, tivemos como governantes pessoas que não foram capazes de tornar Portugal um país com as portas abertas ao progresso.
Vem esta introdução a propósito do que li numa História de Portugal sobre D. João V. É claro que este nosso rei, nos quarenta e tês anos em que governou Portugal, fez algumas coisas boas como mandar construir o Aqueduto das Águas Livres, promover as artes, etc. mas, o que eu quero mostrar é o que este senhor fez com a maior parte da imensa riqueza que lhe chegou do Brasil.
" Nenhuma das prodigalidades de D. João V superou a da construção do Convento de Mafra. Feito para pagar uma promessa pelo nascimento da sua primeira filha, tornou-se um dos mais acabados exemplos de desperdício da história portuguesa.
A sua construção teve início em 1716. Para fazer avançar o seu projecto faraónico, o rei mandou recrutar operários e artesãos em todo o reino. Em 1729 havia 40000 pessoas a trabalhar na obra. Para acelerar os trabalhos, foram encomendadas 2000 carretas movidas por 12000 bois e 3000 cavalos. Para abrigar todo o pessoal envolvido na construção, foram erguidas 2000 casas
de madeira e criados três hospitais com 500 camas. Um exército de 2000 soldados foi destacado para garantir a segurança do aglomerado de 60000 pessoas que se formou em torno da obra.
Na decoração do grandioso convento o rei também não economizou. Os sinos foram feitos na Holanda e na Itália e de toda a Europa chegaram pranchas de nogueira para forrar as paredes e
2000 metros de tecido brocado foram usados nos paramentos dos padres.
A obra durou até 1735 e consumiu 120 milhões de cruzados - o equivalente a 140 toneladas de ouro, tudo o que a coroa arrecadara em vinte anos de exploração das minas brasileiras."
PRESENTES DE D. JOÃO V
Uma das razões que lhe valeram o cognome de "Magnânimo", foi, certamente, a qualidade dos seus presentes. Receber um presente de D. João V significava, a maior parte das vezes, ficar rico para o resto da vida. A lista a seguir dá uma ideia dos presentes que o monarca costumava distribuir:
1721 - Cinquenta dúzias de pratos de ouro oferecidos aos cardeais Pereira e Cunha para, em Roma, representarem Portugal.
1726 - Uma grande baixela de prata e 22 cavalos para o cardeal Mota.
1730 - Um caixote de barras de ouro para a Princesa das Astùrias.
1731 - Um caixote de barras de ouro para a rainha de Espanha.
1732 - 72 barras de ouro para o núncio Bichi, em Roma.
1733 - 24 barras de ouro para ajudar ao enterro do núncio Cavalieri, realizado em Roma.
1739 - Uma caixa de brilhantes para o cardeal Oddi e oito barras de ouro para o sobrinho deste, que foi o portador do presente.
1744 - Oito barras de ouro e um anel de diamantes para o conde de Boil.
1 comentário:
Oi, feijoada!!
A propósito deste nosso dispendioso rei e do "seu" convento de Mafra, aconselho vivamente o livro "Memorial do Convento" do nosso galardoado Saramago!!
Espero k esteja tudo óptimo com todo o clã!! E boa sorte para o pequeno Tomás (acho k vai ser este o nome do pequerrucho k aí vem perto de dia 24 de Agosto!)
Já agora!! Kem precisar, ou conhecer quem precise, de traduções (português - inglês e vice-versa)... mi liga, vai!!
Beijitos para miúdos e graúdos!
Vanessa
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