quinta-feira, outubro 26, 2006

Flores do meu jardim









Meu amor que alegria
Bailar contigo na eira
Meu Deus o que eu daria
P'ra viver à tua beira

Teus olhos são estrelas brilhando
Na escuridão do meu penar
Quem me dera viver amando
Toda a luz do teu olhar

Roubei-te um beijo um dia
Ficaste zangada comigo
Tão azeda. tão arredia
Quis esquecer-te... não consigo.

S.F.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Os cúmulos dos cúmulos

Sabem qual é o cúmulo do racismo?
É um preto levar um transplante de um dedo branco e, passados dez dias, o dedo rejeitar o preto.

Qual é o cúmulo dos cúmulos?
Um mudo telefonar a um surdo a dizer que o cego o anda a espiar.

Quem sabe qual é o cúmulo da preguiça?
É um gajo que vai vender amendoins para a porta da igreja. Quando o padre dizia AMEN ele acrescentava DOINS.

E o cúmulo da paciência?
Ver uma corrida de caracóis em câmara lenta.

Qual é o cúmulo do romantismo?
Puxar o autoclismo e pensar que está a ouvir o marulhar das ondas do mar.

Sabem qual é o cúmulo da esperança?
É um gay beber groselha na esperança de lhe vir a menstruação.

E qual é o cúmulo da aventura?
Praticar sexo oral com um canibal.

Qual é o cúmulo da rapidez?
Correr sozinho e acabar em segundo lugar.

Qual é o cúmulo do vegetarianismo?
Ir para trás de uma moita com uma rapariga e comer a moita.

quarta-feira, outubro 11, 2006

...Loiras em Pessoa...


Dá a surpresa de ser,
É alta de um louro escuro,
Faz bem só pensar em ver
Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem
( Se ela estivesse deitada)
Dois montinhos que amanhecem
Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco
Assenta em palmo espalhado
Sobre a saliência do flanco
Do seu relevo tapado.

Apetece com um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?

Álvaro de Campos

sábado, outubro 07, 2006

quinta-feira, outubro 05, 2006

Saudades do Zeca



CANTO JOVEM
Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegámos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara
Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha
Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa moira encantada
Vira a proa da minha barca

quarta-feira, outubro 04, 2006

Quando um caçador foi caçado!



Achei deliciosamente interessante, embora solidário com o sofrimento do indivíduo em causa, o que aconteceu a um caçador ali para os lados de Santa Cruz da Trapa, concelho de S. Pedro do Sul, e que vem relatado no simpático jornal " Terras do Baroso".
Nunca me entusiasmei muito com a caça mas também não sou fanáticamente contra. É uma actvidade saudável ( mais para o caçador, para a caça nem tanto). Neste caso o que me despertou a atenção foi terem-se invertido, de algum modo, as posições e a angústia da presa quando se sente encurralada, quando sente a morte chegar, ter sido vivida pelo outro lado que, certamente, nunca parou para pensar no sofrimento que, continuadamente, causa às suas vítimas.

DUPLO CRIME

O Sr. Arlindo Rodrigues, proprietário de um talho em Santa Cruz da Trapa, é sobejamente conhecido pelos seus hobies de caça e pesca. Num recente domingo, logo pela manhã, o Sr. Arlindo dirigiu-se à povoação de Janarde, na freguesia de S.Cristóvão de Lafões, e aí iniciou mais um dia de caça desportiva. A seguir à ponte estacionou o seu carro e, de arma ao ombro, percorreu um estreito caminho agrícola. Um pouco mais adiante foi surpreendido por aquilo que o poderia ter levado à morte: um laço instalado para a caça furtiva aos javalis desarmou-se à sua passagem e empurrou-o para um terreno em segundo plano, pendurado de cabeça para baixo a mais de um metro do solo. O telemóvel, que nestas alturas é uma ferramenta que pode salvar vidas, caíu do bolso da vítima e ficou inerte, fora do seu alcance. Numa tentativa desesperada, o Sr. Arlindo conseguiu agarrar num pequeno ramo solto e tentou aproximá-lo do seu alcance mas, para sua angustia, acabou por precipitá-lo para um local mais abaixo onde seria impossivel captá-lo. Então gritou o mais alto que pôde por socorro. Mas os minutos iam passando e cada vez se sentia mais só e desesperado, apesar de ouvir o ruído de veículos a passar na estrada. A odisseia tinha-se iniciado eram 7h45m. Pendurado pelos pés, invadido já pelo desespero e a iniciar uma entrada em pânico, pois, segundo ele, sentia já um enorme formigueiro na cabeça, um aperto na garganta e o corpo dormente, continou a gritar por socorro de cada vez que ouvia um ruído de motor na estrada. Do seu braço esquerdo ia perdendo sangue, pois, ao ser arrastado pela armadilha embateu violentamente numa laje de granito.
Passou então "o seu anjo da guarda", em passeio matinal de bicicleta na estrada e viu o carro do Sr. Arlindo, amigo das lides da caça, estacionado na berma. Numa brincadeira de amigos de caça, lançou a sua voz nas alturas: " Eh fogueteiro, então dá ou não dá?". E o amigo tentou a plenos pulmões, numa derradeira tentativa de socorro, gritar o mais alto que pôde: " Socorro, ajuda-me". O professor José Luis Gaspar de Campos, não se tendo apercebido da mensagem, continuou a sua viagem de bicicleta até próximo do cruzeiro de Janarde. Aí, parou e ficou a meditar naquilo que eventualmente poderia ou lhe parecia agora ter sido um pedido de socorro e voltou para trás. Chegado ao local, voltou a chamar pelo amigo e então apercebeu-se de que algo de grave estava a acontecer. Fez a breve caminhada e encontrou o seu conterrâneo num preocupante estado de saúde. Desprendeu-o e este desmaiou, tendo, segundo o mesmo,
recuperado plenamente a consciência já no Centro de Saúde de S. Pedro do Sul. O Presidente da Junta de Freguesia de S.Cristóvão de Lafões participou à GNR que foi ao local e desarmou ainda várias armadilhas, tendo tomado conta da ocorrência para averiguações.
È sabido que estas armadilhas são expressamente proibidas quer para a caça de animais, quer pelo perigo que representam para os humanos. São assim duplamente criminosas as pessoas que, anóninamente e cobardemente, continuam a instalar tão perigosos aparelhos.