sábado, janeiro 19, 2019

A Árvore da vida

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Como é doce a tua sombra

minha amiga árvore.

Sinto-me calmo e feliz

protegido pela tua frondosa copa

ouvindo as tuas folhas sussurrarem

segredos antigos.

 E a minha alma alarma-se com a nostalgia mágica

que deles emerge de uma forma clara.

Pressinto, e logo acredito cegamente,

que tu, minha velha e querida árvore

me queres falar dos meus ancestrais,

dos meus saudosos mortos,

que, como eu hoje, se sentaram aqui ao longo dos anos.

Diz-me, meu majestoso carvalho-roble,

o que sonhava o meu avô ou o pai dele,

ou a minha mãe quando, nas tardes abrasadoras

do verão,  vinham procurar a tua sombra e,

embalados pelo teu suave rumorejar,

adormeciam ou meditavam nos seus amores

Ou nas suas dores ou então falavam contigo,

como eu, e pediam-te para lhe contares

as tuas estórias vividas em tempos antigos

quando tu eras jovem e também sonhavas.

Fica aqui muitos anos, para sempre se possível,

e quando os meus filhos , ou os meus netos,

Ou os netos dos meus netos, se acolherem

debaixo de ti, diz-lhes através do teu sussurrar encantador,

Que eu estive aqui, que me orgulhei por lhes deixar o meu sangue,

te amei e que terei sempre

saudades tuas, até na Eternidade.

Sérgio Figueiredo

 

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