Como é doce a tua sombra
minha amiga árvore.
Sinto-me calmo e feliz
protegido pela tua frondosa copa
ouvindo as tuas folhas sussurrarem
segredos antigos.
E a minha alma alarma-se
com a nostalgia mágica
que deles emerge de uma forma clara.
Pressinto, e logo acredito cegamente,
que tu, minha velha e querida árvore
me queres falar dos meus ancestrais,
dos meus saudosos mortos,
que, como eu hoje, se sentaram aqui ao longo dos anos.
Diz-me, meu majestoso carvalho-roble,
o que sonhava o meu avô ou o pai dele,
ou a minha mãe quando, nas tardes abrasadoras
do verão, vinham
procurar a tua sombra e,
embalados pelo teu suave rumorejar,
adormeciam ou meditavam nos seus amores
Ou nas suas dores ou então falavam contigo,
como eu, e pediam-te para lhe contares
as tuas estórias vividas em tempos antigos
quando tu eras jovem e também sonhavas.
Fica aqui muitos anos, para sempre se possível,
e quando os meus filhos , ou os meus netos,
Ou os netos dos meus netos, se acolherem
debaixo de ti, diz-lhes através do teu sussurrar encantador,
Que eu estive aqui, que me orgulhei por lhes deixar o meu
sangue,
te amei e que terei sempre
saudades tuas, até na Eternidade.
Sérgio Figueiredo
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