A VIAGEM AOS PICOS DA EUROPA
FOI UMA EXPERIÊNCIA MUITO INTERESSANTE
De 9 a 14 de Setembro eu e mais 26 sócios e amigos da AATIB percorremos o
norte da nossa vizinha Espanha, concentrando-nos especialmente na zona do
Parque Nacional dos Picos da Europa. A
primeira grande cidade que visitámos foi
Valladolid e eu gostei de circular pelas suas ruas antigas plenas de
alegria e juventude devido às festas da cidade.
No dia seguinte fomos até Burgos onde fui surpreendido por
um ambiente encantador que me deixou
saudades. A sua catedral é imponente e está recheada de pequenas maravilhas no seu interior.
Quando, após o circuito que fizemos num pequeno comboio, regressámos à grande
praça da catedral estavam todos os sinos a tocar ( talvez em nossa honra…) o
que nos deixou empolgados.
Seguimos depois para a bonita cidade de Santander onde
encontrámos, pela primeira vez, o Mar Cantábrico. Visitámos o Farol de Cabo
Mayor onde, mentalmente, homenageei as
vitimas que, na guerra civil espanhola, ali foram barbaramente
assassinadas. Fomos depois para a
magnifica avenida marginal e descemos junto à praia e percorremos o seu passeio
marítimo.
Chegou o dia de avançarmos para os Picos. Embora chovesse
ninguém teve medo. Sabíamos que a nossa estrelinha nos ia ajudar. E quando nos
aproximávamos do destino já o sol brilhava.
Quando a nossa guia, Amélia, nos apresentou o simpático rio de montanha
chamado Deva, que eu comparei ao nosso Paiva, e nos disse que o íamos seguir
até bem perto da sua nascente, entusiasmei-me com a perspetiva. A paisagem tornou-se espantosa quando
entrámos no desfiladeiro de Ermida e subimos, numa estrada muito estreita,
rodeados de toda a espécie de arvoredo e ouvindo as águas do meu amigo
rio. Quando chegámos a Fuente Dé subimos
no teleférico a um dos pontos mais altos dos Picos. Em três minutos passámos de uma altitude de 1100 metros para quase 1900. No regresso almoçámos em
Potes, uma pequena, mas muito típica, cidade antiga.
Seguimos para Comillas
onde encontrámos edifícios interessantíssimos dos quais destaco o famoso
Capricho de Gaudi, o Palácio Sobrellano e a Universidade Pontifícia. O nosso autocarro percorreu mais alguns
quilómetros e encontrámos mais uma jóia cantábrica: Santillana del Mar.
Respira-se ali um ambiente medieval que nos é trazido pelo desgaste que se nota
nas pedras das ruas ou pela vetustez das suas casas particulares ou do convento
e outros edifícios medievos.
No dia seguinte podemos estar num sítio com muita história e
pleno de encanto: Covadonga. Foi ali que
Pelágio infligiu a primeira derrota aos mouros iniciando a Reconquista que se iria prolongar por mais de oito séculos. Tivemos que mudar
de autocarro para podermos fazer uma subida ingreme, de doze quilómetros, até
aos Lagos de Covadonga: o Ercina e o Enol.
A paisagem é arrebatadora. São os
Picos da Europa na sua pureza e na sua grandeza. Só nós e as centenas de vacas
“trepadeiras”, como a nossa colega Zézinha, muito apropriadamente lhes chamou,
que em escarpas ou no meio das rochas pastavam pachorrentamente, indiferentes
aos turistas.
Continuámos a viajar até chegarmos à capital das Astúrias:
Oviedo. Ali, a simpática guia local, a
Aurora, deu-nos uma boa lição de história em que entraram os mineiros ,os
bispos, as cruzes, La Regenta,etc.
Na etapa seguinte, Leon, visitámos a cidade também
acompanhados por uma guia local, a Begónia, que nos levou também à catedral que
me maravilhou com os imensos e esplendorosos vitrais.
Aproximava-se o fim desta experiência espanhola. Salamanca, era a última cidade para conhecer e desfrutar.
Fiquei encantado com esta “cidade dourada” como eles a chamam. O guia local, o
António, era excelente, simpático e apaixonado pela sua terra. O rei de Espanha
estava mesmo a chegar à Universidade para abrir o ano escolar mas nós,
importantes como somos, não quisemos… esperar por ele.
As três catedrais são magnificentes por fora e, certamente,
não o serão menos por dentro, mas já não havia tempo na nossa agenda para o
comprovar. Outro local mágico de Salamanca é a sua Plaza Mayor. Uma das mais
bonitas de Espanha é, desde há centenas de anos, o local de encontro
privilegiado de todos os habitantes da cidade.
As praças maiores espanholas são uma tradição muito interessante e
motivadora de unidade numa cidade. Que pena não ser portuguesa!
E assim acabou a nossa invasão pacífica à grande nação que
se chama Espanha. Não a conquistámos mas fomos conquistados pelas suas extraordinárias paisagens
e pela beleza e ancestralidade das suas cidades. Como não tínhamos aspirações à
perfeição, foi natural que nem tudo corresse bem. Pessoalmente, penso que os
espanhóis, em geral, não primam pela simpatia e isso cria pequenos
contratempos. Na parte gastronómica também deixam a desejar. Mas as partes positivas superaram
perfeitamente o que posa ter acontecido de menos bom.
Agradeço à direção da AATIB
a organização de mais esta viagem
e fico à espera da próxima.
Sérgio Figueiredo